A dieta do estado

paulo-carmona_edit_edMuito provavelmente teremos de ir à cirurgia invasiva (FMI) da qual andamos a fugir o mais que podemos o que, tirando a dureza das medidas e a humilhação de demonstrarmos não sermos capazes de nos governar, é a forma mais rápida, segura e eficaz de tornarmos o Estado mais ágil e, por conseguinte, a economia.

Peso em excesso pode causar problemas cardíacos e de flexibilidade, para além de diminuir a longevidade e a resistência do organismo. E quanto mais se come parece que mais fome se tem. E, todavia, a solução para perder peso é simples: reduzir a alimentação e fazer exercício. Mas quase todos os que desejam perder peso não têm a disciplina necessária para tal e pretendem encontrar uma pílula milagrosa ou uma dieta de batidos, sopas ou iogurtes que lhes permita emagrecer sem grande esforço. Porque é extraordinariamente difícil ter o autocontrolo suficiente para conter o aumento de peso e/ou baixá-lo para níveis razoáveis.

E quando se atingem casos de obesidade extrema, a cinta gástrica ou a lipoaspiração são incontornáveis para salvar o sistema, mas com todos os efeitos secundários por se tratarem de cirurgias invasivas.

O paralelismo com a situação de excesso de peso do sector Estado e a sua incapacidade de se auto reformar é bastante evidente. Sem um choque externo, uma desconfiança dos credores, uma falta de financiamento, uma União Europeia, a despesa corrente primária não tem limites de crescimento. Mas mesmo com esse choque será que conseguimos sozinhos a dieta do Estado? A história recente deixa algumas dúvidas. Lembram-se da falta de aplicação do PRACE ou das derrapagens orçamentais de 2009 ou 2010?

Muito provavelmente teremos de ir à cirurgia invasiva (FMI) da qual andamos a fugir o mais que podemos o que, tirando a dureza das medidas e a humilhação de demonstrarmos não sermos capazes de nos governar, é a forma mais rápida, segura e eficaz de tornarmos o Estado mais ágil e, por conseguinte, a economia. E com isso ultrapassarmos esta indefinição que nos tolhe as atenções, refreia os investimentos e aumenta os impostos só para pagar os juros dos empréstimos.

Quando mais depressa nos pudermos concentrar nas formas de fazer crescer a economia e facilitar a vida às empresas, e principalmente às exportadoras e aos investidores estrangeiros, melhor para todos.

Porque não podemos andar a fingir que emagrecemos apenas a cortar nos bolos ou com aspirinas, dietas de frutas ou iogurtes. Há sempre uma excepção num Gabinete, numa empresa pública, numa Região Autónoma, num amigo, etc. Com essa dieta para europeu ver estamos apenas a adiar o inevitável PEC 4 ou 5, ou seja o país. E isso é o que menos necessitamos.

POR PAULO CARMONA

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